Viagem: Uruguai. De carro.





2010, Abril - 07 a 20

Quando viajávamos e víamos carros de lugares distantes circulando nesses destinos, brotava em nós uma vontade de também fazer essa experiência de entrar no carro e sair para bem longe, entrando aqui e ali.


Com a aposentadoria houve uma facilitação e aos poucos fomos construindo o sonho.

Escolhemos como destino desta primeira experiência o Uruguai, por ser o país mais próximo com cidades importantes que não conhecíamos.

Inicialmente traçamos um roteiro passando pelo Chuí, Punta del Este, Montevideo e Rivera, incluindo também a serra gaúcha. No entanto, devido a outros compromissos, tivemos que deixar a serra gaúcha para outra ocasião.

Marcamos para sair no dia 06 de abril, mas, devido a uma reação que a Marina apresentou com a vacina da gripe A H1N1, deixamos para partir no dia 07.

Apesar de termos traçado um roteiro, não determinamos prazos para permanência nos destinos, nem reservamos hotéis, visto que estávamos indo em baixa temporada turística. Nossa intenção era ir sem pressa, parando onde desse vontade.

No dia 07/04 partimos às 8h30m, com destino a Tramandaí ou Gravataí, a depender do andamento da viagem.

A BR-101 no sul do estado está aquela lástima de qualquer rodovia em obras. Desvios para a esquerda, desvios para a direita, inicio de pista dupla, inicio de mão dupla, buracos pequenos e buracos grandes se sucediam o tempo todo, exigindo toda a atenção.




Já o clima intercalava períodos de sol e de garoa, deixando a pista molhada e os veículos que iam a frente emitiam um sujo "spray" no parabrisas do nosso carro. Em compensação, fomos premiados com os espetáculos de vários arcoiris.


Entramos em Torres para tomar a Estrada do Mar e resolvemos almoçar ali. Fomos até a praia, tiramos algumas fotos e fomos procurar um restaurante. Almoçamos no Restaurante Régis, na margem sul do Rio Mampituba que faz a divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.



Dali partimos pela Estrada do Mar. Desde que saímos de São José, o carro vinha sempre com o controlador de velocidade regulado nas velocidades máximas permitidas para cada trecho percorrido, o que explica as ótimas médias de consumo, conforme consta do mapa ao final do blog.

Em Capão da Canoa entramos para tomar um café.

Chegamos a Gravataí/RS, às 16h40m, instalamo-nos no Hotel Radar e saímos para conhecer a cidade. Por ser muito pequena, acabamos indo a Cachoeirinha, município vizinho. Quando voltamos ao hotel já era noite.

O dia 08/04 amanheceu parcialmente nublado. Saímos do hotel às 7h30m, abastecemos e tomamos a Free-Way (BR-290), rumo a BR-116, com destino ao Chuí. Na Free-Way pegamos o movimento dos Portoalegrenses que iam para o trabalho.


Perto das 9 horas o céu já estava limpo anunciando um dia ensolarado, com a temperatura amena de abril, permitindo-nos viajar com a janela entreaberta, curtindo o frescor da brisa. A viagem transcorria tranquila e íamos curtindo a paisagem e a seleção de músicas francesas que meu irmão Geninho havia gravado num CD de MP3.



Passava pouco das 11 horas quando chegamos a Pelotas, onde decidimos parar para conhecer a cidade e almoçar. Estacionamos o carro em frente ao hospital Santa Casa e fomos caminhar pelo centro.

Almoçamos e fomos visitar a Catedral de São Francisco de Paula, igreja lindíssima, que além de possuir um ambiente propício à introspecção, revela-se também pelo valor artístico de seus vitrais, colunas em pedra, telas, esculturas e cúpulas.




Quando saímos da igreja, vimos um Vectra cor de rosa sendo dirigido por um senhor. A Clarice ia tirar uma foto, mas eu acabei por desestimulá-la, ficando, assim, sem o registro do cara mais macho de Pelotas.

Não poderíamos sair de Pelotas sem experimentar seus famosos doces, então, fomos na Doceria Pelotense, tomar um cafezinho acompanhado de docinho, para encarar o próximo trajeto.

Neste trecho passamos pela Estação Ecológica do Taim, uma reta infinita com muitos passarinhos no acostamento e uma imensidão de banhado dos dois lados da BR-471, na planície costeira do Rio Grande do Sul.



Passamos pelo posto da Polícia Federal, onde registramos a posse da máquina fotográfica que levávamos e entramos no Chuí às 16h30m, chegando na cidade mais meridional do Brasil.


Fomos diretamente ao Hotel Bertelli onde demos entrada e nos instalamos.

Já começava a escurecer quando saímos para ir conhecer as ruas de comércio.

Nossa impressão foi decepcionante. Esperávamos mais. A área comercial restringe-se a uma avenida malcuidada, separada por um canteiro irregular que separa a cidade de Chuí, do Brasil, da cidade de Chuy, do Uruguai. Em cada lado da avenida o trânsito se faz em mão dupla. O lado brasileiro é formado por lojas antigas com aparência de estado falimentar e carcaças de veículos abandonadas e cheias de entulho. O lado Uruguaio é pouca coisa melhor, à excessão dos free-shops, que são realmente melhores.


Os artigos em oferta nos free-shops são basicamente os mesmos que se encontra nos free-shops de aeroportos internacionais. Pensávamos que o comércio fosse mais completo. De informática não há quase nada e, de eletrônicos, muito pouco.

Para nossa sorte a viagem não tinha como objetivo as compras e sim o passeio.

Jantamos e voltamos ao hotel, onde pudemos constatar a precariedade do mesmo. Apesar de anunciar muitas vantagens, oferece pouco com nenhuma manutenção e cobra caro para o seu padrão. Dormi com os pés para fora da pequena cama.

Na manhã do dia 09/04, fomos até a barra do arroio Chuí que, naquele ponto, divide o Brasil e o Uruguai. Estávamos finalmente no ponto do litoral mais extremo ao sul do Brasil.

Ali, às margens do arroio, fica o Farol do Chuí, mantido pela Marinha do Brasil. O farol é formado por uma torre em concreto, com 30 metros de altura, inaugurado em 24/05/1910 e com alcance de 46 milhas náuticas (cerca de 85 Km).

No portão do terreno onde se acha o Farol havia um aviso dizendo que as visitas se davam às terças e quintas. Estávamos numa sexta. A Clarice ficou inconformada com o fato. Desceu do carro e foi tentar falar com alguém para, pelo menos, permitirem tirar uma foto próxima ao Farol.

Atendeu-lhe o 1º Sargento Valdinei, da Marinha do Brasil. Ele informou que na véspera também não haviam aberto para visitações, tendo em vista que o farol estava passando por reforma e pintura para a comemoração de seu centenário. Cedendo aos argumentos dela, sobre a distância que percorremos para estar ali e a grande vontade de tirar uma foto junto ao Farol, ele não só permitiu nossa visita, como nos ciceroneou até o topo da torre.

Recebemos uma verdadeira aula sobre o Farol, com explicação sobre a forma como funciona hoje e como funcionava no passado. A Marinha está de parabéns pelo trabalho que faz na manutenção dos Faróis que guiam nossos navegadores e por contar com profissionais tão dedicados e educados como o 1º Sgt Valdinei.






Visitamos também a ponte sobre o arroio e a praia Barra do Chuí, com sua extensa faixa de areias brancas.



Dali voltamos para o centro da cidade e, seguindo a avenida principal por cerca de 9 km, pelo lado Uruguaio, fomos até o Forte São Miguel, que também abriga um museu militar.

O Forte foi construído no ano de 1737, por ordem do Brig. José da Silva Paes, militar português que atuou em diversas disputas de terras no sul do Brasil, sendo responsável pela tomada da Ilha de Santa Catarina para os Portugueses, tornando-se Governador da Ilha e posteriormente da Capitania de Santa catarina por duas vezes.

É um forte pequeno, bonito e muito bem conservado, cuja visita recomendamos.





Depois da visita ao forte, voltamos ao centro, onde almoçamos e demos uma volta pelo comércio e pelas ruas do lado Uruguaio e do lado Brasileiro.

Na manhã do dia 10 (sábado), saímos com destino à Punta Del Este. Era nove horas quando chegamos na Aduana Uruguaia. Carimbaram nossos passaportes e verificaram a Carta Verde (apólice obrigatória para circular de carro nos países do Mercosul).


Depois, fomos atendidos por outro agente do Governo, ligado ao Ministério do Turismo, Sr. Cono Gonzales, que se desdobrou em nos dar explicações sobre trânsito, cidades e opções de hotéis. Deu-nos vários mapas rodoviários e de cidades. Ao final alertou sobre a necessidade de dirigir sempre com os faróis do carro acesos, seja no trânsito urbano ou nas estradas.

Passamos então pela breve revista no veículo e partimos rodando por estrada ladeada pelas planícies uruguaias, no Departamento de Rocha. No Uruguai a divisão política se dá por Departamentos (equivalentes aos Estados no Brasil).

Era 10 horas quando chegamos ao Forte Santa Tereza, enorme complexo datado de 1762, e o mais importante do país. Desde sua fundação, recebeu alternadas ocupações entre espanhóis, portugueses e brasileiros, passando, definitivamente ao Uruguai no ano de 1.828. Neste forte encontram-se as bandeiras das tropas espanholas que participaram de campanhas por disputas territoriais na Ilha de Santa Catarina.

Extremamente bem conservado justifica a parada para visitá-lo. Ali se conhece alguns dos hábitos vividos naquela conturbada época da história onde Portugal e Espanha brigavam intensamente pela definição dos limites de seus domínios.








Visitando os ambientes do Forte, na forma como estão organizados, principalmente a Capela, consegue-se sentir o clima de ameaças e medos que afligiam os soldados que neles viviam.

Seguimos pela Rota-9 rumo ao sul. Nossa próxima visita foi ao Balneário Punta del Diablo, é uma bela praia mas o balneário é dominado por barracos de pessoas de vida alternativa, desorganizado. Passou-nos a aparência de uma favela à beiramar.




A Rota-9 levaria-nos direto a Punta del Este, porém, decidimos entrar para a Rota-10, para visitar alguns balneários no caminho.

Nossa primeira parada foi no balneário de Aguas Dulces, praia muito bonita que nos fez lembrar a praia do Moçambique, em Florianópolis. Por estarmos fora de temporada a cidade estava vazia e seus restaurantes fechados.

Como já se aproximava das 13 horas, estávamos com fome e não sabíamos se haveria local para nos alimentarmos mais para frente, comemos um lanche numa Panaderia ali mesmo. Apesar de simples, o lanche estava fresco e ótimo.



Seguimos pela Rota-10, deixando para trás os Balneários de Valizas e Cabo Polônio, este segundo, devido ao fato de que o acesso à praia se dá através de caminhões tracionados para vencer as dunas que separam a estrada do balneário, o que demandaria muito tempo.

Visitamos o Balneário La Pedrera, que tem uma bela praia e uma bela vila com casas convidativas a se passar ali uma temporada.



Partimos para La Paloma que é um balneário de maior porte, com cidade bem estruturada, porém, igualmente desabitada nesta época.

Em La Paloma visitamos o Farol do Cabo Santa Maria, com 29,5 metros de altura. Subimos seus 143 degraus para conhecer seu interior e admirar em 360° a bela paisagem.

Após a visita ao farol, circulamos pelo centro da cidade, compramos uma lembrança do local e fomos a uma sorveteria tomar um sorvete.








Retornamos para a Rota-9 e seguimos para o Departamento de Maldonado, onde se situa a cidade de Punta del Este.

Seguindo a orientação recebida do atencioso Sr. Cono, na Aduana, tomamos a Rota-104 para evitar de passar na região urbana de San Carlos, facilitando o acesso à Punta. Desta forma, retornamos para a Rota-10, numa bela rodovia arborizada e florida fomos recebidos.



Passamos pela simpática La Barra numa tarde ensolarada, servindo-nos de boas vindas e causando uma ótima impressão.

Chegamos na península de Punta del Este às 17h20m. Seguimos para o centro e buscamos uma central de informações turísticas onde obtivemos informações sobre os hotéis e a melhor localização para nos instalarmos.

O hotel recomendado ficava a três quadras de onde estávamos e a funcionária nos deu a indicação do trajeto a seguir de carro para chegar lá. Seguindo a orientação, passamos em frente ao Iate Clube. O sol estava se pondo ao horizonte, bem na nossa frente. Não resistimos. Paramos o carro e fomos andar pela orla e tirar algumas fotografias. Estávamos arrebatados.





Depois desse momento de emoção, fomos para o Hotel Castilla, que fica a uma quadra da beiramar, onde efetuamos o registro e nos instalamos. Tão logo deixamos as malas, descemos para caminhar um pouco e fazer um reconhecimento da área. Caminhamos pela orla até a frente do Hotel Conrad (Cassino).

Jantamos no Restaurante Virazón e já era 21 horas quando voltamos ao hotel.

No dia seguinte (11/04 - Domingo), Tomamos o café da manhã e saímos à pé para conhecer a península de Punta (centro). A localização é de fácil assimilação, tendo em vista que todas as ruas têm nomes e números.

Caminhamos contornando toda a orla, visitando o Iate Clube, o Farol de Santo Antônio que fica no alto da península, próximo à Igreja de Nuestra Señora de la Candelaria. Passamos pela Playa de Los Ingleses, Punta del Vapor, Playa El Emir e Playa Brava, onde visitamos o monumento da mão que sai da areia da praia.










Fomos na rodoviária, onde tomamos um café e ligamos para as famílias, dando notícias.

Almoçamos, visitamos a feira de artesanato e percorremos ruas de comércio (que abre aos domingos). Há muitas lojas de grife na região onde estávamos hospedados.

À noite fomos de carro percorrer os arredores e visitamos o Punta Shopping. É interessante que em Punta, na baixa temporada, os semáforos são desligados devido ao pequeno trânsito que existe nessa época.

No dia 12/04 estávamos comemorando nossos 30 anos de casamento.

Caminhamos na beiramar, retornamos para um banho e saímos de carro para visitar o farol em José Ignácio a cerca de 35 quilômetros de distância.

A caminho de José Ignácio se passa pelo belo balneário La Barra, onde fica a ponte ondulada.



Infelizmente não são permitidas visitações ao farol, uma bela edificação toda revestida em granito com diversas escotilhas.




José Ignácio é um bonito balneário que privilegia uma urbanização rústica. Assim como os demais balneários, estava deserto. Almoçamos (mal e caro) no único restaurante aberto.

No retorno, fomos a Punta Balena, no outro extremo de Punta del Este, para visitar o museu Casapueblo, do famoso artista plástico Carlos Páez Vilaró.

O complexo, que engloba um hotel, o museu e a casa ateliê do artista está edificada na encosta da montanha e foi projetada pelo próprio Vilaró.





Depois da visita ao museu, tomamos café no terraço da cafeteria ali instalada, apreciando a imensidão azul à nossa frente.



No retorno ao hotel paramos junto à praia para apreciar nosso último pôr do sol em Punta del Este. Próximo a nós um casal de holandeses também apreciava o entardecer. Estavam em um enorme veículo do tipo dos caminhões da Paris-Dakar que trouxeram de navio da Holanda e haviam iniciado uma aventura no Ushuaia e rumavam ao norte da América.



Naquela noite fomos ao cassino do Hotel Conrad para brincar um pouco. Ficamos impressionados com a facilidade que as pessoas perdiam dinheiro na roleta.

O dia 13/04 (terça) amanheceu choroso com nossa partida. Chuviscava, deixando as ruas molhadas.

Pouco depois de estarmos na estrada o tempo melhorou e o sol chegou a aparecer, permanecendo assim até chegarmos a Montevideo.

Nosso destino era Montevideo, com uma parada em Piriápolis, tradicional balneário, onde se situa o famoso Hotel Argentino.






Visitamos o porto e a orla do famoso balneário. Ali, como em todos os pontos do Uruguai, é mais que comum ver pessoas caminhando abraçadas em garrafas térmicas e uma cuia na mão.



Quando saíamos da cidade vimos um grupo de estudantes que aguardavam a condução, todos uniformizados com jaleco e gravata. Vimos estudantes com este tipo de uniforme também em outras cidades.



Chegamos cedo a Montevideo (13h30m), porém perdemos algum tempo definindo o hotel. Depois de ouvir algumas opiniões e de tentar hospedagem no Ibis que estava lotado, decidimos pelo Hotel Balfer, no centro da cidade.

Depois de instalados no hotel, saímos para dar uma volta.


Fomos também até a revenda da Hyundai para ver se eles tinham tapetes de borracha, tendo em vista que o carpet do carro estava ficando maltratado por entrarmos e sairmos com os calçados molhados. Lá conhecemos o belo IX-35, que no Uruguai está sendo vendido com o nome de Tucson. Impressionou positivamente.

Jantamos, caminhamos um pouco pela Av. 18 de julho e voltamos para o hotel.

No dia seguinte acordamos tarde. Chovia e ventava demais. Daquela chuva de revirar guardachuva, inviabilizando caminharmos pelo Centro Velho que é onde ficam as principais atrações de Montevideo.

Fomos até Mercado de Abundância que é um antigo mercado onde na parte superior funciona uma série de restaurantes simples e no subsolo um mercado de artesanatos, onde compramos algumas lembrancinhas.

Depois fomos de carro até o Mercado del Puerto, antigo mercado de frutas e que hoje é um pólo gastronômico. É uma bela edificação erguida na segunda metade do século 19, com estrutura em ferro.




Andando pelos corredores fomos sendo assediados pelos representantes dos diversos restaurantes, enquanto tentávamos nos situar, extasiados com o fogaréu dos braseiros de diversos restaurantes. Para nos conquistarem ofereciam taças de espumantes.


Rodamos por todo o mercado. Eu estava com vontade de comer frutos do mar, então, optamos por sentarmos num restaurante (El Peregrino) ao invés de usar os balcões que ficam em frente aos braseiros. Comemos Paella Valenciana.





Enquanto almoçávamos, um grande grupo de torcedores do Corintians fazia seus gritos de guerra, animados para o jogo que ocorreria naquela noite contra o Racing em Montevideo.

Depois do almoço continuava a chuva e o vento. Decidimos ir ao Shopping Punta Carretas que funciona onde antigamente era uma penitenciária, para procurar um artigo que necessitávamos comprar.

Dali fomos a outras lojas onde comprei um par de botas Salomon por um ótimo preço. Voltamos ao centro onde caminhamos pela Av. 18 de julho e jantamos um delicioso Chivito com fritas (lanche do tipo x-salada) e voltamos para o hotel onde acabamos por assistir a vitória do Corintians por 2 x 0.

O dia seguinte (15/04) amanheceu com o clima pior que na véspera. A situação estava tão ruim que os pousos de aviões foram cancelados. Era simplesmente impossível sair para conhecer a Ciudad Vieja.

Montevideo fica sobre uma colina em uma península que se projeta na embocadura do Rio da Prata. No início do século 18 havia ali um enorme forte onde dentro de suas muradas se desenvolveu o primeiro núcleo urbano do que viria a ser Montevideo. Foi nessa região que se ergueram os principais prédios da época. Depois a cidade se expandiu para o atual Centro e as muralhas do forte foram destruídas.

Hoje a maior parte das edificações deste antigo centro, denominado de Ciudad Vieja, estão sendo restaurados e utilizados por empresas de porte, daí a importância da visita a esta região da cidade. Porém a chuva inclemente não nos permitia.

Passamos este segundo dia dedicando-nos a visitar o comércio no Shopping Três Cruzes que funciona junto à rodoviária, ao Shopping Portones, ao Hipermercado Tienda Inglesa e outros locais.

No final da tarde a chuva deu uma trégua, quando aproveitamos para fazer uma a primeira incursão à Ciudad Vieja. No entanto, logo escureceu e tínhamos sido alertados que lá não era seguro à noite.


Voltamos pela Av. 18 de Julho, onde há um Cassino (Maroñas) onde fomos brincar nos caça níqueis. Observamos que as pessoas saem do trabalho e invadem o cassino, lotando-o.


O dia 16/04 amanheceu sem chuva e com o céu limpo. Sol brilhando.

Saímos do hotel e seguimos para a Plaza Independencia, conhecendo os famosos prédios do caminho (Ed. Cine Rex, Palácio Brasil e Palácio Salvo, dentre outros).









Assistimos a cerimônia de troca de guarda da Casa de Gobierno (Palácio Presidencial) e do Mausoléu del Libertador Artigas que fica sob a praça.





Finalmente iríamos conhecer a Ciudad Vieja. Valeu a espera.

Dali transpusemos a "Puerta de la Ciudadela" (única ruína que sobrou da fortificação que circundava a antiga Montevideo) e seguimos pela "Peatonal Sarandí".



Conforme se caminha vive-se uma sucessão de deslumbramentos. A riqueza de detalhes das fachadas, portas, janelas, colunas e esculturas dos prédios, cada qual em seu estilo próprio, representando épocas ou tendências diferentes faziam-nos questionar como poderiam numa época sem os recursos tecnológicos que temos hoje, fazerem tantas coisas lindas e, atualmente, tudo é feito mais ou menos.

A Catedral é belíssima por dentro. Todos os elogios seriam no superlativo para cada uma de suas obras.

Voltamos ao Mercado del Puerto para o almoço e para conhecê-lo recebendo a luz solar sobre os elementos translúcidos do telhado.

Desta vez optamos por fazer o almoço típico do Mercado, sentados no balcão, em frente aos braseiros e tomando um chopp.

Escolhemos o restaurante com melhor braseiro: El Palenque. Não nos arrependemos. Comemos chorizo e entrecot.






Depois do almoço voltamos a percorrer as ruas da Ciudad Vieja, onde a cada esquina vencida novos prédios antigos nos surpreendiam por sua beleza.

Passava pouco das 17 horas quando chegamos na esquina da Av. 18 de Julho com a Rua Carlos Quijano. Então a Clarice percebeu ali a "Fuente de los candados" (Fonte dos cadeados), cuja placa informava "La leyenda de esta joven fuente dice que si se le coloca un candado con las iniciales de dos personas que se aman, volverlo juntas a visitarla y su amor vivira por siempre...". A fonte possui uma cerca de ferro cheia de cadeados com iniciais de pessoas.

Decidimos encarar a brincadeira e, para marcar nossa passagem por Montevideo e por estarmos comemorando 30 anos de casados, partimos para a compra de um cadeado. Enquanto rodávamos à procura do cadeado, encontramos uma locação de filmagens de uma peça publicitária sendo dirigida por um diretor brasileiro, referente ao chiclete Trident Global Connections.


Na foto acima pode ser visto o jogador, o roqueiro punck e o guarda inglês que será atingido por eles. O diretor é aquele de chapéu que está conversando com o guarda. Abaixo o comercial.


Depois da compra do cadeado, fomos providenciar a gravação de nossos nomes e do nome de nosso país. Feito isso, voltamos à fonte para fixá-lo no gradil, no ferro que fica em frente à placa de identificação da fonte. Fica aqui um desafio para aqueles que forem a Montevideo: Ir na fonte, localizar nosso cadeado e tirar uma foto.





Voltamos ao hotel para descansar, visto que no dia seguinte viajaríamos para Rivera e estávamos preocupados com a hospedagem, tendo em vista que o feriado do dia 21 de abril criava um feriadão e a tendência era de muito movimento em Rivera.

Ligamos para diversos hoteis em Rivera e não conseguimos vaga. Então, para garantir o pernoite, fizemos uma reserva provisória num hotel em Tacuarembo, cidade que se situa à margem da Rota-5 e dista aproximadamente 120 km de Rivera.

O dia 17/04 veio com céu limpo e temperatura baixa. Tomamos o carro na garagem do hotel e descemos em direção à Rambla (avenida que costeia toda a margem do Rio de La Plata) e seguimos em direção à Rota-5, estrada federal que vai até Rivera.

Montevideo é contornada ao norte e ao leste pelo Departamento de Canelones. A região de Canelones que fica ao leste de Montevideo é famosa por seus balneários e a parte norte, onde passaríamos neste dia é famosa pelas paisagens rurais e por suas vinícolas.

Conforme seguíamos, íamos passando por diversas bodegas e percebi que a Clarice gostaria muito de visitar uma delas. Já tínhamos rodado cerca de 35 km, quando passamos em frente ao muro do Estabelecimento Juanico, da Família Deicas.

Decidimos arriscar e entramos na propriedade. Passamos por vários parreirais e chegamos a uma cancela onde uma vigilante veio nos atender. Explicamos a situação e ela disse que normalmente as visitas são agendadas em grupos e com antecedência, mas que ela veria se havia alguém para nos atender. Para nossa sorte havia e entramos na propriedade.

Fomos atendidos por Lorena que nos levou até os parreirais e explicou sobre as uvas cultivadas nos 380 ha produtivos da fazenda que possui 500 ha. A maior parte do cultivo é de uva Tannat. Depois levou-nos na área de produção e por fim à degustação e ao porão do antigo celeiro, construído em 1.830 e onde estão os toneis e a adega do proprietário. Ao final compramos algumas garrafas (botejas).







Seguimos viagem pela bela rodovia observando a paisagem onde há muitas pastagens com gado de leite.

Paramos num restaurante junto a um posto de combustíveis em Paso de Los Toros, para almoçar. Sentados no restaurante observávamos o movimento do posto de combustíveis e ficamos impressionados com a quantidade de crianças que vinham de bicicleta comprar combustível em garrafas "pet" de refrigerante.


Apesar de ter seguido a legislação e ter transitado em todo o território Uruguaio com os faróis do carro acesos, vi muitos veículos transitando com os faróis apagados. Também é muito comum as pessoas transitarem de moto sem o capacete, inclusive em rodovias federais. Para quem gosta de veículos antigos o Uruguai é um salão do automóvel a céu aberto. Em todos os lugares onde passamos vimos veículos antigos, alguns reformados e rodando e a maioria parados e ao tempo.

Entramos no município de Tacuarembó e dali ligamos para Rivera onde conseguimos uma vaga no hotel Uruguai-Brasil.

Chegamos à Rivera já no início da noite. Fomos diretamente ao hotel onde nos instalaram num apartamento horrível. As chaves da porta eram do tipo de porta de armário, o papel higiênico da pior qualidade, a veneziana da janela estava quebrada, a cama rangia, a lâmpada era tão fraca que mal enxergava as informações no mapa. Além das péssimas condições do quarto, pelo qual tiveram a coragem de nos pedir R$ 165,00, o hotel não tinha vaga no estacionamento e tive que colocar o carro num estacionamento em outra rua ao custo de R$ 25,00 a diária.

Caminhamos um pouco pela cidade e voltamos ao hotel para dormir. Ou melhor, tentar dormir. Parecia que estávamos deitados na pista de dança de um salão de baile. O barulho de carros com som ligado no último volume e a gritaria era demais. Só conseguimos pegar no sono quando já se aproximava o amanhecer.

Assim que amanheceu fomos a Santana do Livramento procurar outro hotel para o segundo pernoite. Ficamos no hotel Jandaia que tinha vaga de garagem disponível.

Resolvida a mudança de hotel, fomos ao comércio. Achamos tão fraco quanto o de Chuy. De informática não tem quase nada. Pediram por um pen-drive de 4 Gb, R$ 35,00. Eu havia comprado um destes por R$ 36,oo no camelódromo de Florianópolis.

Para quem quer comprar tênis, perfumes, chocolate ou bebidas, vale a pena. O resto deixa a desejar.

Fizemos as tradicionais fotos no obelisco que define a divisão fronteiriça.


No dia 19/04 (segunda), saímos às 8h30m com destino a Gravataí ou Tramandaí, a depender do andamento da viagem. A previsão do tempo era das piores. Chuvas, ventanias e chuva de granizo. Saímos sob forte chuva e durante todo o trajeto na BR-158 pegamos vários temporais. Ali senti bem a vantagem de estar dirigindo um veículo alto. A Tucson respondeu bem.

Pouco depois de entrarmos na BR-290 o tempo melhorou. Almoçamos num restaurante próximo ao trevo de São Sepé e seguimos. Era 14h40m quando entramos na free-way. Decidimos ir até Tramandaí.

Chegamos às 16h05m e nos instalamos no Hotel Schenkel.

Saímos e fomos caminhar até a praia e depois até a ponte que divide Tramandaí e Imbé. Estávamos ali quando do entardecer que nos premiou com um belíssimo por do sol sobre a lagoa de Tramandaí.




Jantamos no restaurante do hotel.

No dia 20/04 (terça), iniciamos a viagem pela Estrada do Mar. Entramos no Arroio do Sal para conhecer o farol, muito simples.

Paramos em Torres onde fomos ao Farol.

Entramos também em Laguna para almoçar na Praia do Mar Grosso, onde comemos um peixe frito na hora.

Visitamos a Igreja, a Casa de Anita Garibaldi e o marco do Tratado de Tordesilhas.





Chegamos em casa às 16 horas, após uma viagem de 13 dias fantásticos.


Atualização Posterior:

Montevidéo, a capital Uruguaia, é repleta de Plátanos. São milhares de árvores desta espécie, distribuídas por toda a cidade, seja ao longo das ruas ou nas praças.

Esta abundância dá um belo toque na paisagem urbana, tornando-a mais agradável.

A Clarice, com sua aguçada veia artística, viu nas folhas caídas ao chão, a possibilidade de criar uma lembrança de nossa viagem àquele agradável país.

Assim, ela colheu algumas folhas secas e, chegando em casa, fez um prato de cerâmica onde imprimiu uma das folhas.

Depois da queima, com verniz brilhante na parte externa ela destacou a imagem da folha e produziu a bela peça artística cerâmica da foto ao lado que, pendurada na sacada de nosso apartamento, nos faz recordar esta viagem.


Observações:
  • O Uruguai é uma grande planície. Desde nossa entrada pelo Chuy passamos a transitar por estrada planas e em boas condições. Só viemos encontrar alguma elevação, e mesmo assim pequenas, quando nos aproximávamos de Rivera, já na saída do Uruguai.
  • As cidades são bem arborizadas, principalmente Montevideo. Chegamos a ler em algum lugar que haveria três árvores por habitante.
  • O povo uruguaio é simples, hospitaleiro, educado e calmo. Estas características ficam bem reveladas no trânsito da capital Montevideo. Transitamos de carro no período de rush, em dia de chuva e mesmo assim todos mantém a calma e são cordiais com os outros veículos, cedendo vez e sem se ouvir buzinas.
  • É um povo que valoriza o patrimônio público e preserva os costumes e cultura.

Tabela de distâncias percorridas:

Tabela Distâncias Percorridas

Tabela de Consumo de combustível (Tucson em viagem):

Tabela Consumo Combustível Tucson


8 comentários:

ana alice disse...

olá Clarice e Mauricio,
muy bela a viagem de vcs. Faço votos que muitas outras venham pela frente, e que sejam tão belas quanto estas já feitas.

um forte abraço para vcs.

Ana Alice.

JENNIFER BARG disse...

Muito legal esse relato de voces, rico em detalhes, vou me basear por aqui pra fazer meu roteiro. Valeu! Jennifer, Florianópolis, SC.

Mauricio e Clarice disse...

Jennifer,

Caso você não conheça, vale a pena incluir em seu roteiro uma visita a Colônia Del Sacramento.
Naquela viagem não fomos até lá porque já a conhecíamos, tendo ido até lá partindo de Buenos Aires, via Buque Bus (catamarã). Veja relato em http://www.diariodoscaminhos.com.br/search/label/Uruguai%20-%20Col%C3%B4nia%20del%20Sacramento.

Perdido nos 30 (anos) disse...

Muito legal o registro de vocês,com muitos detalhes e informações bem úteis para quem como eu pretende visitar o uruguai. Parabéns e boas novas viagens!

Anônimo disse...

Olá, bom dia ao casal.

Estamos planejando a mesma viagem, mas saindo de carro alugado em Porto Alegre.
Percebi que o trecho Montevideo até Rivera foi pouco explorado por vocês. Qual o motivo?

Mauricio e Clarice disse...

Olá.
Infelizmente naquela viagem de 2010 tivemos que retornar antecipadamente e, assim, deixamos de explorar outras cidades do Uruguai, bem como tivemos que abortar as paradas que pretendíamos em cidades da serra gaúcha.
Se vocês tiverem tempo disponível, seria interessante incluírem outros destinos no Uruguai. Vale a pena.
Em 2014 retornamos a Montevidéu (viagem a ser publicada futuramente no blog juntamente com outras pendentes), dessa vez por via aérea e tivemos a oportunidade de também revisitar Colônia Del Sacramento e conhecer a simpática San José de Mayo, ambas a oeste de Montevidéu.
Com certeza voltaremos ao Uruguai com mais tempo para explorar outras cidades.

fabiana mendes pereira disse...

Maurício, estamos querendo continuar a viagem até valle nevado... o que vcs.acham? Mais quantos dias acha que seria necessário?
Obrigada e parabéns pela viagem

Fabiana

Mauricio e Clarice disse...

Olá Fabiana,

Infelizmente não tenho conhecimento do trajeto que você pretende fazer, para poder lhe auxiliar. Desculpe.
Obrigado pelo comentário.