Caminhada: São José dos Ausentes/RS


2011 - março, 05 a 08

Nossa programação para o carnaval 2011 seria uma caminhada nos quatro dias, na região dos Aparados da Serra Gaúcha, no município de São José dos Ausentes.



A organização foi efetuada por Ana e Rudi Zen, com o auxílio da Mayalú.

Neste mesmo período ocorreu a Caminhada Surpresa do Guido, na região de Doutor Pedrinho, em Santa Catarina. Foi uma pena que tenha coincidido a data dos dois eventos, impedindo-nos de participar em ambos.

Partimos de Florianópolis em micro-ônibus às 3 horas do dia 05 de março, sexta-feira de carnaval, para quatro dias de caminhadas, acompanhados de amigos da ACACSC (Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela).

No início uma breve apresentação e depois a procura de um cochilo para chegar ao destino com energia para a caminhada.

Chovia em alguns trechos da BR-101 que apresentava enorme movimento no sentido contrário ao que seguíamos. Eram os gaúchos procurando o litoral Catarinense no feriado de carnaval.

Fizemos um "pit stop" em Sangão e uma parada para café da manhã em Araranguá, às margens da BR-101 e partimos rumo ao município de Timbé do Sul/SC, quando descemos do ônibus após o término do perímetro urbano.

Já não chovia mais, porém, a estrada estava totalmente enlameada, o que seria um novo desafio, visto que a caminhada da manhã seria só de subida na Serra da Rocinha, com início a uma altitude de 156 metros e o destino ( Mirante da Divisa), aos 1.205 metros de altitude.


Ali o movimento de veículos do Rio Grande do Sul descendo a serra era grande. Vinham em levas. Era interessante observar a reação dos motoristas e passageiros destes veículos. Alguns reduziam a velocidade para nos observarem, outros só por segurança do trânsito. A maioria acenava e cumprimentava. Vários pararam para saber do que se tratava aquele bando de gente subindo uma serra a pé, com a pista totalmente enlameada. Um deles perguntou se era um estudo, ao que a Clarice respondeu que era por prazer e ele partiu com um sorriso no rosto. Houve aqueles que nos filmaram e, também os que nos ignoraram, mas estes foram poucos.

Havíamos caminhado por cerca de uma hora e meia quando encontramos estacionado um Corcel II, cujo proprietário havia colocado sobre o capô dois cachos de bananas e as oferecia a nós, com entusiasmo. A banana era muito gostosa. Comemos algumas e seguimos nosso trajeto.


Não havia planos para se tomar um fôlego, era só subida, então as paradas para tomar água serviam para uma boa respirada.



Faltavam 15 minutos para as 13 horas quando chegamos à divisa dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ali nos esperava Aécio, contratado para nos guiar nas caminhadas seguintes. Recepcionou um-a-um, entregando uma maçã e indicando o local do Mirante da Divisa, para onde seguimos. Até ali caminhamos cerca de 14 km. O dia nublado nos impediu de ter uma visão ampla da paisagem, como se dá nos dias de céu aberto.



Dali seguimos de ônibus até a Pousada e pesque-pague onde almoçamos trutas.

À tarde caminhamos até a Cachoeira das Sete Mulheres, assim denominada porque serviu de abertura à famosa minissérie da Rede Globo “A Casa das Sete Mulheres”.  Inicialmente seguimos por uma estrada vicinal e depois por um terreno de campos bem úmido, atravessamos um pequeno riacho, passando por sobre pedras e, finalmente, margeando o riacho, seguimos até a bela cachoeira.






Já no final da tarde, no retorno à Pousada onde ficara o ônibus, o clima mudou, lembrando-nos que estávamos na serra; esfriou repentinamente enquanto descia rápida uma forte serração.



Seguimos para o Hotel no centro da cidade, onde permaneceríamos durante toda a programação.

Após um reconfortante banho, descemos para jantar e tomar um vinho na companhia dos amigos, dividindo as experiências do dia.

No dia seis tomamos o café da manhã no hotel e seguimos de ônibus até a localidade de Silveira, onde iniciamos a caminhada dentro de uma propriedade rural.

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Seguimos caminhando sobre campos, passando por cercas, desviando de áreas alagadas e do enfrentamento com o gado. Por ser uma área de topografia irregular, subíamos e descíamos morros. A cada cume uma nova paisagem se descortinava.  É uma paisagem fantástica, diferente daquela que estamos habituados, com todas as nuanças de verde e muitas araucárias.



Não havia uma trilha definida. Íamos caminhando pelos campos, pisando na relva, seguindo o guia Aécio, numa fila “quase indiana”.











Passava do meio-dia quando subimos ao maior dos morros, de onde se avistava na paisagem a figura do mapa do Brasil formada pelo curso de dois rios.

Formação rochosa representando o mapa do Brasil
A descida se deu por uma face do morro que exigiu bastante atenção e esforço.



Lá embaixo, sob a proteção de uma área arborizada, sentamo-nos no chão para lanchar. Neste dia cada um trouxe o seu lanche, preparado pelo hotel, conforme pedido efetuado, conforme constava da programação.



Houve tempo para descançar e, apesar do barulho da conversa geral, houve quem conseguisse dormir.





Não havia se completado uma hora da parada para o lanche e levantamos acampamento para continuar a caminhada. Descemos a grande pedra que dava acesso ao mapa do Brasil, seguimos e logo em seguida fizemos a travessia de um rio onde tivemos que tirar as botas e arregaçar as pernas da calça. A travessia tinha que ser feita com muito cuidado visto que o leito do rio era forrado de pedregulhos lisos.



Margeando o rio vimos algumas pequenas quedas d’água até chegarmos a enorme cachoeira dos Rodrigues, de irretocável beleza. Primeiramente a apreciamos de um plano mais alto e depois descemos para vê-la de baixo. Devido às chuvas das vésperas, estava caudalosa.





Alguns dos caminhantes, mais animados, descalçaram-se e foram caminhando pelo rio até bem perto da queda da água.



Seguimos caminhando pelos campos e a Maria Zilda e a Patrícia colhiam macela.




Passamos por outra boiada que inicialmente veio rápida ao nosso encontro, assustando alguns, mas pararam a uma boa distância. Ficaram ali observando-nos como que questionando; o que afinal de contas esse bando de loucos faz aqui no meio do mato?  Depois, saciada a curiosidade, saíram em ruidoso galope.



Mais à frente encontramos um belo muro de taipa e ao final deste, o ônibus.



O participativo e simpático motorista Alexandre nos esperava com uma garrafa de cachaça. Todos experimentaram. Estava muito boa e descia sem queimação. Daí, a repetição do gole. As meninas ficaram alegres e começaram a cantar.

Assim que o ônibus partiu iniciou-se um festival de saudosas marchinhas de carnaval e músicas do passado, passando também pela Jovem Guarda. O André Wendhausen puxava cantigas de 1908, como ele próprio dizia.

Quando o ônibus fez uma parada as mulheres fizeram um trenzinho no corredor (imagine um trenzinho num corredor de micro-ônibus). Depois desceram cantando e fizeram um grito de carnaval ali na rua ao lado de uma plantação de maçãs, cujos pés estavam cheios de frutas.

A cantoria continuou até que o ônibus chegou ao hotel.

À noite no hotel foi servido brodo (sopa) e carreteiro, acompanhados de vinho.

No dia sete partimos com o ônibus onde a cantoria continuou de forma mais amena, baseando-se numa lista que a Clarice preparou durante a noite.

Paramos em frente a porteira de uma propriedade rural. Fizemos alongamento sob a orientação da Aline, filha do Ferreira.

Rudi fazendo (alongamento?)
Neste dia trilhamos uma antiga estrada do município que está desativada e em alguns trechos acabou sendo incorporada a propriedades.




No início a estrada estava com o pavimento bom. Em alguns trechos era sombreada e em outros ficávamos à mercê do sol.

Devido ao fato de não ter manutenção, está muito irregular, apresentando algumas áreas alagadas e outras com erosão.



Neste dia o momento de apreensão foi quando tivemos que passar por dentro de um pequeno cercado, dividindo espaço com o gado que ficou meio agitado e estava a apenas um metro de nós. Seguimos rente à cerca de arame farpado, um atrás do outro, em silêncio.

Em determinado momento encontramo-nos com Alexandre, o motorista, que havia levando o ônibus até onde o pegaríamos e veio ao nosso encontro.

Às 13 horas atravessamos um riacho onde tivemos que tirar as botas e arregaçar as calças.

Logo após chegamos a uma região protegida por árvores onde o irmão de nosso guia e sua esposa nos esperavam com um lanche. Havia pinhão cozido, café coado na hora, pães, queijos, salames, rosca, bolinho de queijo, paçoca de pinhão e torta salgada.





Estava dando 14 horas quando partimos novamente numa subida íngreme.



Depois de quarenta minutos de caminhada, chegamos a um pequeno cemitério no meio do nada, onde estão parentes de nosso guia. Fizemos uma oração e seguimos caminhando até a casa da família que nos serviu o almoço onde fizemos uma pequena parada. Lá havia um par de curicacas (ave símbolo de São José dos Ausentes). Em seguida partimos rumos ao ônibus que nos levou para a cidade onde fez um breve city tour.


Naquela noite foi servido churrasco. Um gaiteiro deu vida ao ambiente, onde várias pessoas dançaram. A animação era geral, com muita conversa e brincadeiras.

No dia oito, após o café da manhã fomos de ônibus até o Pico do Monte Negro. A terra estava ensopada e havia muita névoa impedindo de vermos os penhascos.


Por ser o dia Internacional das mulheres elas posaram para uma foto especial, empunhando seus cajados como se fossem as espadas das guerreiras.




Caminhamos em torno dos despenhadeiros e depois fomos ao Pico, subindo um pequeno morro. O Pico do Monte Negro é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, com altitude de 1.403 metros.

Após descermos do pico, seguimos até um local onde dois tropeiros nos aguardavam com um “café morrudo”, conforme brincavam denominando o lanche que foi servido no morro.



Seguimos para o ônibus e partimos em viagem de retorno, passando por São Joaquim, onde paramos para comprar produtos elaborados com maçãs e depois por Urubici, descendo, depois a
BR-282.


Quando chegamos já era noite e um temporal nos aguardava.

O programa foi fantástico, representando nosso retorno ao circuito de longas caminhadas.

Registramos aqui nosso agradecimento a Ana, Rudi e Mayalú por tudo de bom que nos proporcionaram e, aos demais amigos que compartilharam estes dias conosco, nosso afeto, carinho e gratidão por cada minuto de feliz convivência.



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Um comentário:

Carol disse...

Muito legal a caminhada de vcs!! belas fotos tb!! eu estou querendo fazer uma caminhada de Cambara do Sul até São Jose dos Ausentes pelos Campos, mas estou estudando ainda o roteiro...

Abraços!